segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Outro...

O outro precisa de mim e eu preciso muito do outro.
O outro faz com que eu me reconheça, me enxergue, me assuma.
O corpo do outro tem outra intenção, outra qualidade, outro ritmo, mas que me contamina, eu quero o outro. Dançar com ele, mas não ser ele.
Preciso do outro. Não consigo sem o outro, mas que este outro não vire eu. É eu e o outro.
Com o outro eu me conheci:
Tenho pintinhas, pele branca, minha orelha é do tamanho da medida entre a bochecha e meu olho. Meu braço é gostoso de apertar, minha escápula é pequena.
Me percebo com o outro, me toquei através do outro.
O outro diz que sou "moça sem esconderijos, roupa rosa e roxa, meiga e carinhosa. Tenho disponibilidade formando círculos no ar, uma minhoca. Me quebro em mil pedaços com ombros tagarelas, cachoeira, tem um ponto que parece puxar todo o corpo. Talvez dois.
Dá pra ouvir a música que a faz dançar, soy muy hermosa!"
O outro não é um supérfulo ou um simples objeto, faz parte de mim, faz parte do IMP.

Eu, vendo



"Não pude ver muito de Silvia, o fogo iluminava violentamente um dos lados da barraca e ela estava acocorada ali, ao lado de Renaud, limpando seu rosto com um lenço ou um pano; vi suas coxas bronzeadas, umas coxas leves e ao mesmo tempo definidas, como o estilo de Francis Ponge de quem Borel me falava, as panturrilhas ficaram na sombra assim como o torso e a cara, mas de repente a cabeleira brilhava com as piruetas das chamas, um cabelo também de ouro velho, toda Silvia parecia entonada de fogo (...)."

O que eu vejo através do meu corpo? E o que pode ser visto através dele? Ver, olhar, apreender e então (tentar) descrever o corpo do outro me mostrou um enorme desafio de sim tentar descobrir do que - e como - é feito o meu. O que se esconde debaixo da mão suave? Carne, músculo, gordura. Preenche, me dá volume e me movimenta. Um corpo, uma massa. As coxas leves e as panturrilhas definidas são feitas da mesma coisa, do mesmo pedaço de Silvia.

Silvia está no livro "Último Round, Júlio Cortázar. As imagens de anatomia foram captadas do vídeo "Abenteuer Anthroposophie", as outras imagens são da Maggie Ann e Corinne Golabek, disponíveis na internet.

Um beijo e até sexta!
Maria

Renascer..

Queria compartilhar duas coisas povo!

Primeiro um texto que fala sobre o renascer...

É um pouco do que a dança faz em mim, me renova, me renasce.

E depois a indicação de um espetáculo de rua ( mtooo bom!) que está acontecendo na parte externa da Reitoria "Amoradores de Rua", podiamos combinar de irmos todos juntos na sexta à noite, em, que tal?

Renascer

Renascer é rever, é reconciliar, é repensar, e refazer com o mesmo barro outras formas.
É recriar.
É abrir-se para o novo, é ter saudade do que já foi, é superar.
É preciso ter muita força de vontade para renascer, muita imaginação, muita força, muito
pensamento. Muito desejo, aquele desejo que é a base de tudo, que é o instinto de vida,
que é o impulso pro alto.
É respirar fundo e continuar.
E isso não é fácil. Nem um pouco.
Tanto que vemos muitos zumbis por aí.
Mas é possível.
Olhe só pra mim.
Olhe pra tanta gente que você conhece.
Olhe no espelho.(...)
Somos sobreviventes.
E continuaremos sendo.
Porque, junto com o sopro de vida, foi nos dada a capacidade de renascer.

Amoradores de Rua

“O Projeto Amoradores de Rua vê a Rua como uma especie de catalisador, como casa, como uma verdadeira entidade. Buscando em função disso, como processo criador, um exercício de dialogo entre linguagens artísticas distintas: teatro, fotografia, vídeo, dança, artes plásticas, arquitetura e urbanismo. A tríade CORAGEM, LIBERDADE e ALEGRIA, fundamenta o conceito deste trabalho, que tem como fonte de inspiração e pesquisa o modernismo em seu sentido antropofágico (…) Deste modo, a Rua significa e desconstrói significados, promovendo participação e dividindo. Apresenta-se cheia de corpos e sistemas relacionados gerando DIVERSIDADE. Engajar esse espaço dentro do contexto de uma investigação artística é confrontar tal arranjo de informações, intenções, pessoas e aspecto culturais INTERCONECTADOS através de fronteiras imaginárias e reais, históricas e transitórias. No sentido de atrair o olhar cotidiano anestesiado para novas e diversas possibilidades de observação do ambiente urbano”
Rafael Camargo

TEMPORADA
31 de março a 11 de abril

quarta a sábado 22:30

domingo 20:30

Espaços externos da Reitoria

Esquina da Rua XV de Novembro com Rua General Carneiro

Entrada gratuita.

aproveite e de uma passadinha lá... http://amoradores.blogspot.com/

Abraços com gosto de chocolate!

Saudade gigantesca de dua semanas de vcs!

sábado, 3 de abril de 2010

O Super-homem

Zaratustra, no entanto, olhava a multidão, e assombrava-se.
Depois falou assim:
"O homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo, perigosa travessia, perigoso caminhar; perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar.
O que é de grande valor no homem é ele ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um ocaso.
Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para outro lado.
Amo aqueles que têm grande desprezo, porque são os grandes adoradores, as setas do desejo ansiosas pela outra margem.
Amo os que não procuram por detrás das estrelas uma razão para sucumbir e oferecer-se em sacrifício, mas se sacrificam pela terra, para que a terra pertença um dia ao Super-homem.
Amo o que vive para conhecer, e que quer conhecer, para que um dia viva o Super-homem, porque assim quer ele sucumbir.
[...]
Amo o que ama a sua virtude, porque a virtude é vontade de extinção e uma seta do desejo.
Amo o que não reserva para si uma gota do seu espírito, mas quer ser inteiramente o espírito da sua virtude, porque assim atravessa a ponte como espírito.
Amo o que faz da sua virtude a sua tendência e o seu destino, pois assim, por sua virtude, quererá viver ainda e não viver mais.
[...]
Amo o que justifica os homens vindouros e redime os passados, porque quer sucumbir antes os presentes.
[...]
Amo aquele cuja alma transborda, a ponto de esquecer de si mesmo, e todas as coisas estão nele, porque assim todas as coisas se farão para seu ocaso.
Amo o que tem o espírito e o coração livres, porque assim sua cabeça serve apenas de entranhas ao seu coração, mas o seu coração o leva a sucumbir.




Palavras do meu amigo Nietzsche em "Assim falou Zaratustra"

sexta-feira, 2 de abril de 2010


Oi gente!

Um poema de Pablo Neruda que eu gosto em Espanhol.

(desculpe, eu nao tenho acentos no meu computador...)
________________
XXXI

A quien le puedo preguntar
que vine a hacer en este mundo?

Por que me muevo sin querer,
por que no puedo estar inmovil?

Por que voy rodando sin ruedas,
volando sin alas ni plumas,

y que me dio por transmigrar
si viven en Chile mis huesos?

________________________

Bom fim de semana pra voces!

Ate : )

turning

Respirar, alongar, sentir e tomar consciência do proprio corpo.
Apropriar-se de si. Perceber cada centímetro da superfície. Pele que toca e é tocada interrompendo o espaço. No movimento cotidiano que forma ou modifica refletindo no tempo o que somos. Sensaçoes experimentadas que no contato com o outro percebo o concreto de ser, estar e relacionar.
...fluindo em meio a isso tudo o racional me cobra, me aperta e me contém, Alina presa em seu olhar apertado.


Bom final de semana a todos!
Beijinho beiijnho tchau tchau!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sobre a experiência

Nosso amigo Bondía (em "Notas sobre experiência e o saber da experiência") nos trouxe várias reflexões sobre como o tempo, a informação, o trabalho e várias outras coisas nos impedem ou prejudicam que tenhamos experiências. Um outro amigo, o Mauro Iasi, fala sobre essas coisas numa síntese poética:


"
As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência


Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência


O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência


A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecencia
Quando os trabalhadores perderem a paciência


Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juízes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências


Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência


Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obselecência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
"declaro vaga a presidência"!


(Quando os trabalhadores perderem a paciência. Mauro Iasi, em seu livro Meta-amor-fases)