domingo, 12 de dezembro de 2010
IMPressões
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Minha Janela
O vento sopra indiferente,
O vidro tremula o vazio entre si e seus limites
Apenas a ausência.
E os espaços incompletos se tornam sons e movimentos
Mas se vê o silencio,
ecoando na essência de tudo que é
E se vê o tempo,
escrevendo com pó sua impaciência sobre os móveis
E a luz que reflete as cores, brilha por falta de opção
E tudo que se afirma, é sim por não poder ser não
Tem certas manhãs que eu preferia não estar aqui
E certas noites, se não fosse por você eu me deixaria até cair
Não que seja especial
Não que te considere real
Mas o vazio do teu silêncio, muitas vezes me conforta
E ainda que te esqueça, me levanto e fecho a porta
O lado de dentro, o lado de fora,
Eu sei, depende só de mim
E se eu fosse algo assim, não me permitiria abrir
Ao olhar pra você, E olhar o espelho
E olhar o reflexo, E ver o que vejo
Me perco em tantas incompletudes
E duvido que haja alguma maneira,
se somos todos feitos de nada
Porque no fim nos tornamos poeira?
A mesma que cai
Sem saber se ja chegou
Sem saber se é ou se deixou
Sem saber que sou igual e me pergunto
Pela janela do quarto, o outro lado
Pela janela da alma, o que não falo.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
LAB_07 - parapeito
O LAB_ é um encontro que caracteriza o encerramento de cada módulo do “IMP – Investigação do Movimento Particular” (núcleo de pesquisa em dança do Vila Arte). Este encontro tem, em primeiro lugar, o desejo de proporcionar ao artista um momento de compartilhamento de seus processos de criação e um lugar de transformação e experiência acerca do corpo e suas interfaces. Tem também como objetivo aproximar artista e público, possibilitando uma reflexão a respeito das configurações investigadas por cada participante do núcleo e estimulando o exercício do feedback.
parapeito
Em outubro de 2010 foi dada a largada de mais um processo colaborativo de criação em dança do IMP. Após alguns encontros realizando exercícios de criação (compositions) a partir dos interesses de pesquisa de cada integrante do núcleo, chegamos finalmente a nossa temática comum de investigação: as janelas. As próprias janelas e tudo o que pode acontecer dentro e fora delas. Os moradores, os transeuntes, as relações, os conflitos, as histórias, a arquitetura, a ausência, os edifícios, o espaço entre edifícios e assim por diante. O livro A morada do ser, de Marina Colasanti, foi também grande fonte de pesquisa e inspiração à criação deste trabalho. Assim como os contos de Marina, parapeito é uma forma de olhar pelo buraco da fechadura e de se aproximar de universos particulares e aparentemente intangíveis.
Orientação: Juliana Adur
Artistas Criadores: Alexandre Zampier, Daniel Kleiber, Douglas Sartori, Gabriel Conte, Gabriel Machado, Jossane Ferraz, Juliana.Kis, Mariana Mello, Maíra Lour, Sarah Rosenkrantz e Thaísa Marques.
11 e 12 de dezembro de 2010 às 19h
ENTRADA FRANCA
Vila Arte Espaço de Dança
Rua Saldanha Marinho, 76 - sala 03 - centro
Informações: begin_of_the_skype_highlighting (41) 3233-8034 / 9992-5140
juliana.adur@hotmail.com(41) 3233-8034
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Dois homens na janela
Apt° 601
Não tolerava invasões do seu espaço. Tinha sua poltrona, sua mesinha, sua luz. Que ninguém se aproximasse quando ali se encastelava.
Mas a mulher teimava em atravessar por cima de seus pés, os filhos insistiam em procurar-lhe o colo.
Advertiu-os com um biombo, divisória entre o que era seu e o que era comum. Porém, os sons invadiam sua privacidade e a televisão varava treliças.
Substituiu o biombo por um muro, construção maciça alcançando o teto. Aferrolhou a porta que franqueava o muro.
Batia à porta a mulher chamando para o telefone. Batiam os filhos pedindo dinheiro. A empregada batia.
Durante semanas escavou o fosso, durante semanas carregou água. A ponte foi mais rápida. Depois de dias de pregos e martelo, bastou puxar a corda para que, num ranger de polias, se erguesse intransponível.
Dançamos o isolamento, de um homem... ou dois, ou três.
Do arejado ao sufocado.
Num ambiente hostil desenvolve-se a crise. A fisicalidade ganha tônus num duo espelhado.
Reconhecimento do entorno e do desgosto.
O espaço se comprime e aperta as reflexões.
Um homem que se encontra consigo mesmo - quando não há mais para onde ir, para onde ir?
Em construção.
impressões sobre movimento
um corpo sozinho, flexível, acessa a possibilidade do acaso com mais ligeireza, tem uma resposta orgânica mais rápida ao momento, à adaptação. um corpo que se conhece.
acredito que dois ou mais corpos flexíveis possam multiplicar as possibilidades, os acasos, abrir as situações, corpos que se surpreendem. corpos que se conhecem e se reconhecem no outro, abrindo possibilidades.
mas, ao mesmo tempo corpos duros, que se fixam, se moldam, programam o que ainda não aconteceu, se confundem e não confluem na fluidez do acaso, ao invés da adaptação são geradas perguntas "como será?", "será que posso?" ou "será que o outro vai gostar?".
corpos inteligentes são os que moldam sua "energia" de acordo com a situação e a potencializam.
conhecer a si mesmo é abrir portas para a adaptação, sem rancores, sem pré-conceitos.
formas desconstruidas, geram muitos mais formas.