sábado, 7 de abril de 2012

"São dois pra lá, dois pra cá"

Balancei no barco da solidão
mas, não estava só
não estava só

Meu coração chove novamente
tão sinceramente, me ouve?
quanto amor que não estava só.

Meu corpo coreografou instantes
de ontem
semanas passadas

Caminhei muito
e meus pés enquanto dançavam libertaram-se
do asfalto quente
Me ouve?
Tão contentes!

Como é possível o cansaço desaparecer dentro do cansaço?
Como é possível tanta impossibilidade possível?

Deus, como é possível dançar só em conjunto?

Sem Acção, de Nada Vale a Inteligência - De Gonçalo Tavares.

Gente, li esse texto e lembrei muito de nossos encontro.
Um beijo amoroso.
Ps: A postagem acima se refere ao último encontro.

Sem Acção, de Nada Vale a InteligênciaOs conhecimentos ouvem-se, mas para agir a capacidade de audição é praticamente desprezável. Porque agir é estar próximo das coisas e ouvir é estar afastado das coisas. Alguém que apenas ouve será considerado um intruso no mundo, a Natureza não se sentirá ameaçada. Quem ouve poderá acumular conhecimentos, mas essa acumulação não lutará com a Natureza. Esta resiste bem à inteligência, ao raciocínio e à memória do Homem: todas estas qualidades intelectuais são assuntos que dizem respeito exclusivamente ao mundo da cidade, e o que ameaça a Natureza são as acções: os momentos em que os humandos abandonam a audição, e mesmo a linguagem do discurso, e passam a querer falar com o tacto: o único que pode alterar as coisas.
Se os homens, mantendo a sua inteligência incorrupta, fossem seres imóveis, incapazes de qualquer movimento, seriam ainda hoje menos poderosos do que um único metro quadrado de terra espontâneo. Poderiam possuir um grau de aperfeiçoamento no pensamento abstracto, matemático e lógico, mas não deixariam de ser uma espécie secundária ao lado das outras: as possuidoras de movimento. Qualquer cão mesquinho mijaria nas pernas de um homem inteligente, mas imóvel. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

fado + helena katz =

No nosso último encontro, nos nossos últimos 3 minutos, coloquei uma música da fadista que eu muito amo e admiro Mafalda Arnault. Qual não foi a minha surpresa, prestando atenção à letra da música, que ela nos dizia nas entrelinhas aquilo que buscávamos a cada palavra dançada no exercício proposto:

"Tu que nasces e renasces, sempre que algo morre em ti"

Fico a pensar sobre a necessidade de se permitir morrer um pouco para que algo novo nasça (ou renasça). E da nossa capacidade inesgótável de voltar a ser.
A Helena Katz fala no seu livro "UM, DOIS, TRÊS, a dança é o pensamento do corpo" que:

"é da qualidade do movimento morrer a cada vez que nasce"

é como a respiração. morrer e nascer e morrer e nascer. contração e expansão. pulsão.

sábado, 24 de março de 2012

Por que você esta escrevendo isso?- Estou experimentando minha sensibilidade.

Há momentos que sinto ser rei absoluto de minha existência. Tem dias que o rato roeu minha roupa e não sobrou nada além da vergonha.Há dias de Chico que me dói por calar. Há dias de Stoklos que peço transformação. Há dias que só caminho. Há dias que danço enquanto atravesso a rua. Há dias que observo as formigas trabalhando e me emociono. Há dias que os raios do sol atravessam o céu com linhas inexplicáveis. Há dias que choro por qualquer coisinha, hoje, choro escrevendo essa frase. Viu só? Há dias que há tantos dias pela frente que penso em desistência. E desisto de desistir por que é pensamento comum. Coitado de quem pensa em ser fraco. Sou forte. Há dias que afirmo ser um puro clichê de mim. E penso: Sou bonito. Então danço torto e distraído pelas avenidas com o sol queimando minha pele, e pés ardentes de asfalto, de peso, de dor, quentes. O importante mesmo é dançar e contemplar cada minúscula ponta de vida. Hoje manifesto: Escrevo asneiras e a poesia me escapa do grafite. Pois que seja uma asneira sincera! Dedico para quem me lê um pedaço do meu sonho. Sonho: Esqueci. Se ofereço esquecimento é por que as vezes não lembro de existir.( Quando danço nas avenidas que atravesso - e toda travessia é um choque de reflexão - as mãos conduzem um movimento esquisito, cheio de dor.) 


sexta-feira, 16 de março de 2012

olá queridx imp !
antes de tudo, peço desculpas pela minha longa ausência e não ter cumprido a minha promessa sobre escrever a respeito da residência ..

Bom, pra quem não sabe , desde o dia 5 de março estou em são paulo participando do LOTE#1, projeto de dança que escolheu colaboradores para participarem de diferentes laboratórios com diferentes artistas interlocutores.
A minha residência está sendo com a Paz Rojo, artista española : http://um.lote24hs.net/interventores/paz-rojo/

vou passar algumas anotações que fiz durante os dias:

" ... ( A Paz ) Tem contado a crise que a europa , e madri em si está sofrendo. Falou do sistema em si , da democracia, da questão de " existimos o no ?"
que somos " una materia humana dispersa , arrojada al capitalismo"
está o tempo todo relacionando a arte e nossa maneira de criar , ao sistema .
" la cuestión de la inutilidad: el estado no garantiza mi existencia, me hace inutil."
contou sobre um artigo que uma mulher escreveu a respeito de umas crianças que se machucavam. Elas se faziam feridas e mostravam " olha, fui eu que fiz " .. elas faziam as feridas e não deixavam que cicatrizassem, abriam-as, mostrando " olha, eu que fiz"...
Ela disse assim , a Paz : las heridas abiertas, una manera de probar que existimos. que existimos por cuenta propia. ( ... ) para que el cuerpo, permanentemente, me avise que existo. ( retomando a questão: El estado No Garantiza mi existencia )


" cuando entramos en crisis, es que ya no nos creemos lo que nos dice el sistema (el estado,sociedad,gente,midia).Te enfermas .... Entonces dicen que te curan ( el estado,sociedad, gente, mídia), pero en realidad te vuelves a creerlo todo . "

O seu foco no trabalho, agora, é nos mostrar como a gente está condicionado a pensar no futuro, de como a gente pensa no movimento para "fazer-lo-ei" em vez de FAZER e que o presente seja o meu presente e não o futuro.
entra a questão do capitalismo, de que temos que nos projetar, pensando em nossa utilidade futuramente, fazer uma faculdade pensando em como poderemos trabalhar, em como teremos um cargo a exercer, uma função na sociedade, um futuro. TER UM FUTURO, FUTURO . ( essa ideia a relacionei hoje, quando fiquei pensando )

Deu como referência um livro do Deleuze, "Lógica de la Sensación. Francis Bacon " e apontou alguns tópicos nele que eu anotei da seguinte forma:
" Como cancelar el " proyectarse", como entrar en una dinamica sensitiva con la acción de pintar .. ( em nosso caso, a ação de mover) "
La sensación es lo contrário de lo fácil y de lo acabado. Es inmediata, no explica, no inplica, y eso es el acontecimiento.
- No hay nada que hacer, futuro que contar, no hay nada que proyectar ... Envolver la cosa , y que ella nos envuelva."

Pensei muito nisso, acho que sim , estamos condicionados em não aproveitar o AGORA em sua maneira verdadeira. "


( preciso interromper aqui .. continuo daqui a pouco .. PROBLEMAS ! )

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Inscrições 2012




I M P - Investigação do Movimento Particular
{núcleo de pesquisa em dança}

O IMP - Investigação do Movimento Particular existe desde 2007 no Vila Arte Espaço de Dança e tem como objetivo proporcionar um ambiente de pesquisa em dança estimulante e provocativo, pautado essencialmente na experiência. Trata-se de adquirir saberes a partir de uma construção coletiva de interesses, em tempo real, porém compreendendo e acolhendo as particularidades de mover e criar de cada integrante. Nossa pesquisa tem o corpo como território de passagem das experiências investigativas, mas os desdobramentos desses corpos dançantes são infinitos.
Orientação: Juliana Adur

Visite: www.movimentoparticular.blogspot.com

Início: 02 de março de 2012
Sextas-feiras, das 9h às 11h
Inscrições até 29 de fevereiro
VAGAS LIMITADAS*

* Os interessados deverão entrar em contato com o Vila Arte Espaço de Dança agendando uma conversa com a orientadora. A inscrição só poderá ser efetuada após a realização desta conversa.

O Vila Arte é um espaço voltado para os estudos do corpo na contemporaneidade que acredita na formação de multiplicadores de arte. Além dos cursos regulares de dança é também sede da desCompanhia de dança, dirigida por Cintia Napoli e ainda promove eventos como o Café com Dança e o LAB_, mostras compartilhadas com o público.

Juliana Adur é formada em Educação Física pela UFPR e pós graduada em arte contemporânea pela UTP. Realizou a Formação Intensiva Acompanhada do c.e.m - centro em movimento (Lisboa/PT). Atua na desCompanhia de dança como bailarina e assistente de direção e na Súbita Companhia de Teatro como atriz e orientadora corporal. É professora de dança contemporânea no Vila Arte Espaço de Dança e orientadora de um grupo de preparação corporal para atores e bailarinos no Pé no Palco Atividades Artísticas.

Informações e Inscrições:
Vila Arte Espaço de Dança
Rua Saldanha Marinho, 76 - sala 03
Centro - Curitiba/Pr
41 3233 8034 / 9992 5140
contato@vilaartedanca.com.br
juliana.adur@hotmail.com

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

dessa mania de se querer dar nome a tudo. e meter o tudo em caixinhas rígidas (e ilusórias)

"Tinha usado a linguagem como um animal, ele tinha renunciado à sua cabeça, renunciado a ser, pela língua, o mestre das coisas. Ele tinha proibido a si mesmo nomear o que quer que fosse. Para ir às coisas, para descer, ver mais baixo. Ele tinha aceitado ver coisas sem ter palavras para designá-las. Tinha renunciado a nomear. Até que todos os objetos em frente estivessem a igual distância, sem inteligência, sem apreensão, sem compreensão, sem ação possível. O mundo lhe era incompreensível porque ele havia renunciado a nomeá-lo, a segurá-lo na sua mão. Ele ofereceu sua língua às coisas. Ele não fazia mais diferença entre o mundo e seu pensamento. Ele estava rodeado de objetos interiores e lugar algum no mundo; ele estava inteiramente fora."
Valère Novarina

in "O teatro dos ouvidos"